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Iwata sabia: demissões dão resultado rápido, mas destroem o que a Nintendo tem de melhor

Em entrevista de 2013, o saudoso presidente da Nintendo admitiu que cortar funcionários melhora o balanço no curto prazo — mas defendeu com unhas e dentes que esse caminho arruinaria a empresa por dentro.

Por · 15 jul. 2026 · 4 min de leitura

Iwata sabia: demissões dão resultado rápido, mas destroem o que a Nintendo tem de melhor

📷 Reprodução/GamesRadar+

Numa época em que a indústria de games parece ter aprendido apenas uma palavra — demissão —, um trecho de entrevista do saudoso Satoru Iwata, presidente da Nintendo falecido em 2015, voltou à tona para dar uma aula. Segundo o GamesRadar+, do Reino Unido, que resgatou as declarações originais de 2013, Iwata reconhecia abertamente que demitir em massa pode, sim, melhorar os resultados financeiros de curto prazo. Mas ele não parava por aí.

A frase que resume tudo é certeira: de acordo com o GamesRadar+, Iwata afirmou acreditar que demitir um grupo de funcionários 'não ajuda a fortalecer o negócio da Nintendo no longo prazo'. O raciocínio dele era simples e humano ao mesmo tempo — funcionários que vivem com medo de serem mandados embora jamais vão entregar o mesmo nível de criatividade e dedicação. E numa empresa cujo produto é pura imaginação, isso é veneno.

Pensa bem: a Nintendo de Iwata era a mesma que, mesmo nos anos mais duros do Wii U (console que, cá entre nós, apanhou feio do mercado), escolheu cortar o próprio salário do presidente antes de demitir qualquer colaborador. Isso não era marketing, era uma filosofia de gestão que ele praticava com o próprio bolso.

O timing desse resgate não podia ser mais pesado. A indústria de games viveu, nos últimos anos, uma sangria histórica de demissões em massa — de estúdios pequenos a gigantes como a Ubisoft, que, aliás, cortou sua equipe de Barcelona recentemente logo após Assassin's Creed Black Flag Resynced bater 2 milhões de cópias vendidas em 24 horas. O contraste com o pensamento de Iwata é surreal.

Olhando de hoje, a filosofia do homem foi o combustível que gerou o DS, o Wii, o Switch — produtos que não foram feitos por equipes amedrontadas, mas por times que se sentiam seguros o suficiente para tentar o impossível. Há uma razão pela qual a Nintendo continua sendo a Nintendo enquanto outras gigantes tropeçam em suas próprias reestruturações.

Cá entre nós: num setor que tanto fala em inovação e cultura criativa, seria bom que mais executivos lessem — e, principalmente, sentissem — o que Iwata disse lá em 2013. A frase não envelheceu um dia sequer.

Sobre o autor

Bruno Vazquez

Jornalista formado em 2008 e editor do Acerto Games, com 18 anos de experiência profissional. A cobertura combina apuração jornalística, experiência de jogador e análise da indústria.

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